O que são Neuropatias e como afetam a saúde?
Postado em: 15/12/2025

Formigamentos, queimação nos pés, sensação de “choquinhos” nas mãos, perda de sensibilidade, dor que piora à noite… Quem convive com isso, em algum momento, joga no Google: “O que são neuropatias?”.
A dúvida é legítima: afinal, estamos falando de doenças que afetam os nervos e podem mudar bastante a relação da pessoa com o próprio corpo.
Neste artigo da Clínica Inervus, em Pinheiros (SP), vamos explicar o que são neuropatias, por que elas aparecem, quais são os sintomas mais comuns, como podem afetar a saúde e em que momento vale procurar um neurologista.
O que são neuropatias, afinal?
Neuropatias são doenças que afetam os nervos periféricos, os fios que levam e trazem mensagens entre o cérebro, a medula e o resto do corpo.
Esses nervos comandam sensibilidade (tato, dor, temperatura), movimento (contração muscular) e funções automáticas (como pressão arterial, ritmo cardíaco, sudorese). Quando estão doentes, o “fio” passa a conduzir mal o sinal ou nem conduz mais.
Na prática, isso pode causar:
- Dormência e formigamento em pés, pernas, mãos ou braços;
- Dor em queimação ou choque, muitas vezes pior no fim do dia;
- Fraqueza muscular, dificuldade para subir escadas, segurar objetos;
- Sensação de estar pisando em algodão, areia ou vidro;
- Alterações de suor, pressão, intestino ou bexiga em alguns casos.
Quando esses sinais começam a aparecer, é importante investigar com um neurologista, como os da Inervus, que têm atuação específica em neuropatias periféricas e demais doenças do sistema nervoso.
Tipos de neuropatias: nem todas se comportam igual
Saber o que são neuropatias também passa por entender que existem vários tipos diferentes. Elas podem ser classificadas por:
- Causa (diabética, alcoólica, inflamatória, hereditária etc.);
- Número de nervos envolvidos (mono, multi ou polineuropatia);
- Função afetada (sensitiva, motora, autonômica ou mista).
Neuropatia periférica
É o termo mais conhecido. Em geral, refere-se a um quadro em que vários nervos periféricos são afetados, com padrão “em luva e bota” (começa em pés e mãos e vai subindo). É comum em:
- Diabetes mellitus (a causa mais frequente de neuropatia periférica no mundo);
- Deficiências vitamínicas (como B12);
- Uso crônico de álcool;
- Algumas doenças autoimunes e inflamatórias;
- Efeitos colaterais de certos quimioterápicos.
Na Clínica Inervus, a neuropatia periférica tem relevância especial, sendo um dos focos de atendimento da equipe, ao lado de quadros como Doença de Parkinson e esclerose múltipla.
Mononeuropatia e multineuropatia
- Mononeuropatia: quando um único nervo é afetado, por exemplo, síndrome do túnel do carpo (nervo mediano comprimido no punho) ou paralisia de nervo facial.
- Multineuropatia (ou mononeuropatia múltipla): quando vários nervos são acometidos, mas de forma assimétrica, em diferentes partes do corpo, com causa muitas vezes inflamatória ou vasculítica.
Esses padrões ajudam o neurologista a direcionar a investigação e definir quais exames fazem sentido.
Como as neuropatias afetam o corpo e a rotina?
Entender o que são neuropatias é importante, mas entender como elas se manifestam no dia a dia é ainda mais.
Sintomas sensitivos
São os mais frequentes e podem variar bastante:
- Formigamento e dormência (parestesia);
- Sensação de agulhadas, choque ou queimação;
- Hiperestesia (toque leve incomoda, até o lençol machuca);
- Perda de sensibilidade para temperatura e dor.
Isso não é “frescura”: a dor neuropática pode ser intensa, mexer com o sono, o humor e a capacidade de caminhar. Pacientes chegam a evitar sapatos fechados ou lençol sobre os pés, de tão incômodo que fica.
Sintomas motores
Quando os nervos motores são afetados, surgem:
- Fraqueza em pés, pernas, mãos ou braços;
- Quedas frequentes, tropeços, dificuldade para subir escadas;
- Atrofia muscular em casos mais avançados.
Essa fraqueza pode ser confundida com problemas articulares, musculares ou mesmo com doenças como Doença de Parkinson, por isso a avaliação neurológica é tão importante para diferenciar as causas.
Sintomas autonômicos
Em algumas neuropatias, especialmente as autonômicas, o problema aparece em funções “automáticas” do corpo:
- Queda de pressão ao levantar (tontura, sensação de desmaio);
- Alterações de sudorese (suor em excesso ou em falta);
- Alterações de batimentos cardíacos;
- Distúrbios urinários e intestinais.
Esses quadros podem exigir uma abordagem ainda mais ampla, integrando neurologia, cardiologia, endocrinologia e outras especialidades.
Principais causas de neuropatias
Depois de entender o que são neuropatias, a pergunta natural é: “por que isso acontece?”
Algumas causas comuns:
- Diabetes (neuropatia diabética periférica);
- Abuso crônico de álcool;
- Deficiências de vitaminas (B12, B1, B6, E);
- Doenças autoimunes (como síndrome de Guillain-Barré e outras neuropatias inflamatórias);
- Doenças renais crônicas;
- Infecções (HIV, hanseníase, entre outras);
- Efeitos de quimioterapia ou outras drogas;
- Doenças hereditárias (como Charcot–Marie–Tooth).
Em muitos casos, especialmente na prática da neurologia, também existe a categoria das neuropatias idiopáticas, quando, mesmo após ampla investigação, não se encontra uma causa única clara.
Como o neurologista investiga neuropatias
Saber o que são neuropatias é só o começo. Descobrir por que aquela neuropatia específica surgiu é o que direciona o tratamento.
Consulta e exame neurológico detalhado
A avaliação começa sempre com uma anamnese minuciosa:
- Quando os sintomas começaram?
- Começaram nos pés, nas mãos ou em outro lugar?
- Houve gatilhos, infecções, mudança de remédios, quimioterapia?
- Existe história de diabetes, alteração de tireoide, doença renal?
- Há outros casos na família?
Depois, o neurologista faz um exame neurológico completo, avaliando força, sensibilidade, reflexos, marcha e coordenação.
É aí que ele identifica padrões típicos de neuropatia periférica, distúrbios do movimento (como Parkinson) ou outras doenças neurológicas.
Exames complementares
Para confirmar o diagnóstico e buscar causas, alguns exames costumam ser utilizados:
- Eletroneuromiografia (ENMG): mede a velocidade de condução dos nervos e a resposta dos músculos, ajudando a caracterizar o tipo de neuropatia (axonal, desmielinizante, mista).
- Exames de sangue: glicemia, hemoglobina glicada, função renal, vitaminas, autoanticorpos, sorologias, entre outros.
- Em alguns casos, biópsia de nervo ou de pele (para avaliar fibras finas).
Na Clínica Inervus, além da investigação clínica, muitas vezes o paciente com neuropatia também se beneficia de avaliação de outros aspectos neurológicos, como equilíbrio, risco de queda e, em situações específicas, de avaliação neuropsicológica quando há queixas de atenção e cognição associadas a doenças sistêmicas.
Tratamento das neuropatias: é possível melhorar?
Uma vez estabelecido o diagnóstico, o tratamento das neuropatias envolve três frentes principais:
- Tratar a causa, quando identificada (por exemplo, controlar melhor o diabetes, corrigir deficiência de vitamina B12, ajustar quimioterápico).
- Controlar os sintomas, especialmente a dor neuropática.
- Proteger função e prevenir complicações, com reabilitação e ajustes de estilo de vida.
Controle da causa
Se a neuropatia é diabética, não adianta apenas tratar a dor: é fundamental controlar glicemia e hemoglobina glicada. Se há deficiência de vitamina B12, o tratamento com reposição pode melhorar ou estabilizar o quadro.
Por isso, o acompanhamento conjunto com endocrinologista, clínico ou outras especialidades é tão importante, algo que a Inervus já considera na organização do plano terapêutico.
Controle da dor e de outros sintomas
A dor neuropática costuma responder melhor a medicamentos que atuam no sistema nervoso central, como:
- Antidepressivos em doses para dor;
- Anticonvulsivantes com ação em dor crônica;
- Em alguns casos, tópicos locais (cremes, pomadas, adesivos).
O objetivo é melhorar o conforto e permitir que a pessoa durma, caminhe e viva melhor. Isso é feito de forma personalizada, considerando idade, outras doenças e possíveis interações medicamentosas.
Reabilitação e prevenção de quedas
Pacientes com neuropatia têm maior risco de quedas, úlceras nos pés e infecções. Por isso, muitas vezes precisam de:
- Fisioterapia para equilíbrio, força e marcha;
- Orientação de cuidados com os pés (especialmente em neuropatia diabética);
- Adaptações em casa (tapetes, iluminação, corrimãos).
Esse olhar integrado é o mesmo aplicado em condições como Doença de Parkinson e esclerose múltipla, todas exigem um cuidado que vai além de “apenas um remédio”.
FAQ – Perguntas frequentes sobre neuropatias
O que são neuropatias?
Neuropatias são doenças que afetam os nervos periféricos, responsáveis por levar e trazer informações entre o cérebro, a medula e o resto do corpo. Podem causar dormência, formigamento, dor em choque ou queimação, fraqueza e, em alguns casos, alterações de funções automáticas, como pressão e sudorese. São problemas do “fio elétrico” que liga o sistema nervoso central ao corpo.
Elas sempre causam dor?
Não. Algumas neuropatias causam muita dor, com queimação e choque, enquanto outras geram apenas perda de sensibilidade, desequilíbrio ou fraqueza, sem dor intensa. A ausência de dor não descarta neuropatia. Por isso, qualquer alteração persistente de sensibilidade ou força deve ser avaliada por um neurologista, especialmente se vier acompanhada de diabetes, uso de álcool, quimioterapia ou outras condições de risco.
Neuropatias são reversíveis?
Depende da causa e do grau de dano ao nervo.
- Quando a causa é identificada e tratada cedo (por exemplo, deficiência de B12, controle de diabetes), parte dos sintomas pode melhorar ou estabilizar.
- Em casos de dano mais avançado, o foco é evitar piora, controlar a dor e preservar a função com reabilitação.
Por isso, quanto mais cedo entender o que são neuropatias e investigar os sintomas, maiores as chances de um desfecho favorável.
Quais exames ajudam no diagnóstico?
Os principais exames são:
- Eletroneuromiografia (ENMG), que avalia a condução dos nervos e a resposta dos músculos;
- Exames de sangue (glicemia, vitaminas, função renal, autoanticorpos, sorologias);
- Em alguns casos, biópsia de nervo ou de pele.
A escolha dos exames é feita pelo neurologista, após consulta detalhada, para que a investigação seja completa, mas também objetiva.
Cuidar dos nervos é cuidar da vida toda
Depois de entender o que são neuropatias e como elas afetam a saúde, fica claro que não estamos falando apenas de dor ou formigamento: estamos falando da nossa conexão com o mundo, sentir o chão, segurar um copo, andar com segurança, dormir sem ser interrompido por queimação nos pés.
Na Clínica Inervus, em Pinheiros (São Paulo), as neuropatias ocupam um lugar central dentro da neurologia, junto com condições como Doença de Parkinson, esclerose múltipla e outros distúrbios do sistema nervoso.
A equipe olha para o quadro de forma ampla: da investigação de causa ao controle da dor, passando por prevenção de quedas, reabilitação e orientações de rotina.
Se você sente dormência, choquinhos, queimação ou fraqueza que não passam com o tempo, talvez seja o momento de transformar essa suspeita em cuidado concreto.Um próximo passo possível é agendar uma consulta com neurologista na Clínica Inervus para avaliar seus sintomas, entender suas queixas e, se necessário, montar um plano de investigação e tratamento que faça sentido para a sua vida, não só para os seus exames.
Dr. Iago Navas Perissinotti
CRM: 182805/SP
RQE: 105792 - Neurologia
RQE: 129572 - Medicina Intensiva
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