O que é Esclerose Múltipla e como afeta o corpo?
Postado em: 03/11/2025

Se a pergunta “o que é esclerose múltipla” já passou pela sua cabeça, provavelmente você ouviu esse nome em uma consulta, em uma reportagem ou porque alguém próximo recebeu o diagnóstico.
A esclerose múltipla (EM) assusta justamente porque mexe com algo muito sensível: o sistema nervoso central, responsável por praticamente tudo que fazemos, como pensar, enxergar, andar, falar, sentir.
Ao longo deste artigo, vamos explicar o que é esclerose múltipla, como ela afeta o corpo, quais são os sintomas mais comuns, de que forma costuma evoluir e quando vale procurar um neurologista.
A ideia é traduzir o linguajar médico para um passo a passo claro, com exemplos do dia a dia, sempre com o olhar de quem vive a neurologia na prática, como na Clínica Inervus, em Pinheiros (SP).
O que é esclerose múltipla?
A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune. Isso significa que o próprio sistema de defesa do organismo passa a atacar estruturas do sistema nervoso central (cérebro, nervos ópticos e medula espinhal), provocando inflamação e dano na “capa de proteção” dos neurônios, chamada mielina.
Quando essa capa é danificada, os impulsos elétricos que passam pelos nervos ficam mais lentos ou desorganizados.
É como se os fios de um cabo elétrico perdessem o isolamento em alguns pontos: a corrente continua passando, mas com falhas. Na prática, isso pode se manifestar como:
- Dificuldade para enxergar com um dos olhos
- Formigamentos ou dormências em braços e pernas
- Fraqueza, desequilíbrio, tropeços frequentes
- Fadiga intensa, desproporcional ao esforço
- Problemas para controlar a bexiga ou o intestino Mayo Clinic+1
A doença costuma acometer adultos jovens, principalmente entre 20 e 50 anos, e é mais frequente em mulheres. No mundo, cerca de 2,8 milhões de pessoas vivem com EM, e estima-se que, no Brasil, sejam em torno de 40 mil pacientes.
Se você quiser se aprofundar além deste texto, uma referência confiável é o conteúdo do Hospital Israelita Albert Einstein sobre esclerose múltipla, com revisão de especialistas da área.
Como a esclerose múltipla afeta o corpo?
A esclerose múltipla não é “apenas” uma doença do cérebro. Ela afeta todo o corpo porque o sistema nervoso central é a central de comando de praticamente todas as funções.
Conforme novas lesões surgem (ou antigas se reativam), diferentes regiões podem ser atingidas, gerando sintomas variados em cada pessoa.
Sistema nervoso central: cérebro, nervos ópticos e medula
Na EM, as lesões de desmielinização podem aparecer em:
- Cérebro (substância branca e cinzenta)
- Nervos ópticos, responsáveis pela visão
- Tronco cerebral e cerebelo, envolvidos com equilíbrio e coordenação
- Medula espinhal, que leva comandos para braços, tronco e pernas
Dependendo de onde a lesão está, o paciente pode sentir:
- Visão embaçada ou perda visual em um olho
- Dificuldade para coordenar movimentos finos (escrever, abotoar roupa)
- Alterações na marcha, tropeços e quedas
- Fraqueza em um lado do corpo
É por isso que dois pacientes com o mesmo diagnóstico podem ter experiências bem diferentes com a doença.
Sintomas motores e de equilíbrio
Quando a esclerose múltipla compromete vias motoras ou regiões responsáveis pela coordenação, podem surgir:
- Fraqueza em braços ou pernas
- Rigidez ou sensação de “perna pesada”
- Dificuldade para subir escadas, caminhar em linha reta, fazer curvas
- Tremores ou movimentos desajeitados
Em alguns casos, esses sintomas podem lembrar doenças como Parkinson ou outras alterações do movimento, o que reforça a importância de uma avaliação cuidadosa com neurologista especializado, como os da Clínica Inervus, que também atuam com distúrbios do movimento.
Sintomas sensitivos, visão e fadiga
Outra forma comum de manifestação são os sintomas sensitivos:
- Dormência em uma parte do corpo
- Sensação de “choquinho”, que piora ao abaixar o pescoço
- Formigamento persistente
A visão também é frequentemente afetada, com quadro de neurite óptica (dor ao mover o olho, visão borrada ou com manchas). Já a fadiga é um dos sintomas mais incapacitantes, mesmo quando outras queixas parecem leves.
Tipos e formas de evolução da esclerose múltipla
Uma dúvida muito comum de quem pesquisa “o que é esclerose múltipla” é: essa doença sempre evolui da mesma forma? A resposta é não.
Existem formas diferentes de curso clínico, que hoje são classificadas principalmente em surto-remissão e formas progressivas.
Surto-remissão (a forma mais comum)
Na forma surto-remissão, o paciente apresenta episódios chamados surtos ou recaídas:
- Surge um novo sintoma neurológico (por exemplo, fraqueza em uma perna ou perda visual).
- Esse quadro dura dias ou semanas.
- Depois, há melhora parcial ou total.
Entre um surto e outro, o paciente pode ficar estável. Com o tempo, porém, podem ficar sequelas desses episódios. O tratamento medicamentoso tem como objetivo reduzir a frequência e a intensidade dos surtos, além de desacelerar a progressão da doença.
Formas progressivas
Nas formas progressivas, o quadro não acontece aos “saltos”, mas sim como uma piora gradual ao longo dos anos, com:
- Queda lenta da força muscular
- Perda de equilíbrio
- Aumento da dificuldade para caminhar
Existe a esclerose múltipla progressiva primária (quando a progressão é desde o início) e a progressiva secundária (quando começa como surto-remissão e depois assume curso mais contínuo).
Esclerose múltipla na prática do dia a dia
Na prática, pouca gente se encaixa em “caixinhas perfeitas”. Um mesmo paciente pode ter:
- Fases de maior estabilidade
- Períodos de maior atividade inflamatória
- Momentos em que sintomas antigos voltam com febre, infecções ou estresse
Por isso, o acompanhamento com equipe treinada em neurologia e esclerose múltipla é tão importante. Em clínicas como a Inervus, isso inclui não só o neurologista, mas também apoio de avaliação neuropsicológica e outras áreas, dependendo de cada caso.
Fatores de risco e possíveis causas
A ciência ainda não sabe com precisão por que uma pessoa desenvolve esclerose múltipla e outra não. O que se sabe hoje é que se trata de uma doença imunomediada, com participação de fatores genéticos e ambientais.
Fatores genéticos e ambientais
Entre os fatores associados à EM, estudos apontam:
- Maior risco em pessoas com histórico familiar da doença
- Infecção prévia por certos vírus (como Epstein-Barr)
- Menor exposição solar e baixa vitamina D
- Tabagismo
- Obesidade em fases precoces da vida
Isso não significa que, se você teve algum desses fatores, terá esclerose múltipla e nem que todas as pessoas com EM tiveram todos esses elementos. O mais correto é falar em aumento de risco, e não em “causa direta”.
Estilo de vida e outros gatilhos possíveis
Além da predisposição, alguns hábitos podem influenciar no curso da doença. A recomendação geral é:
- Parar de fumar, se for o caso
- Manter bom controle de outras condições (pressão alta, diabetes, colesterol)
- Manter atividade física orientada
- Priorizar sono de qualidade e manejo do estresse
Essas medidas não substituem o tratamento com o neurologista, mas podem ajudar a manter o cérebro e o corpo em melhores condições para responder às terapias.
Diagnóstico e tratamento: como a medicina atua
Depois de entender o que é esclerose múltipla, a pergunta seguinte costuma ser: “e agora, o que eu faço?”
Em geral, o diagnóstico é feito por neurologista, com base em:
- História clínica detalhada
- Exame neurológico completo
- Exames complementares: ressonância magnética, punção lombar em alguns casos, potenciais evocados, entre outros
Quando procurar um neurologista
Alguns sinais merecem atenção e avaliação especializada:
- Perda visual súbita ou em dias, principalmente em um olho
- Dormência ou fraqueza que sobe progressivamente de uma perna para o corpo
- Dificuldade para andar que não existia antes
- Episódios de desequilíbrio intenso ou vertigem com outros sintomas neurológicos
Na Clínica Inervus, a equipe atua justamente nessa investigação, com foco em doenças do sistema nervoso.
Além da EM, há experiência em neuropatias periféricas, Parkinson e distúrbios do movimento e outras condições neurológicas que podem se confundir com a esclerose múltipla no início do quadro.
Exames e acompanhamento a longo prazo
Esclerose múltipla é uma doença crônica, que exige acompanhamento a longo prazo. O tratamento costuma envolver:
- Medicações modificadoras da doença, que reduzem a atividade inflamatória
- Tratamento de surtos, quando acontecem (por exemplo, com corticoides endovenosos)
- Reabilitação: fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, neuropsicologia, conforme a necessidade
- Monitorização periódica com exame clínico e ressonâncias de controle
A boa notícia é que, nas últimas décadas, houve grande avanço nas opções terapêuticas. Hoje, muitos pacientes conseguem manter boa qualidade de vida, trabalho, vida familiar e atividade física, desde que acompanhados de forma regular e individualizada.
Perguntas frequentes sobre esclerose múltipla
O que é esclerose múltipla?
Esclerose múltipla é uma doença autoimune do sistema nervoso central, em que o sistema de defesa do corpo ataca a mielina, capa que protege os neurônios. Isso gera lesões no cérebro, na medula e nos nervos ópticos, causando sintomas como alterações de visão, fraqueza, formigamentos e problemas de equilíbrio. Não é contagiosa, não é doença mental e não tem cura, mas existem tratamentos eficazes para controlar sua evolução.
Quais os primeiros sintomas?
Os primeiros sintomas variam muito, mas alguns são frequentes:
- Neurite óptica (dor ao mover o olho, visão turva ou com manchas)
- Dormência ou formigamento em uma parte do corpo
- Sensação de choque ou “corrente” ao abaixar o pescoço
- Fraqueza em um lado do corpo
- Desequilíbrio repentino
Qualquer sintoma neurológico novo e persistente merece avaliação com neurologista, especialmente se durar mais de 24 horas.
Esclerose múltipla é hereditária?
Não é correto dizer que esclerose múltipla é hereditária no sentido clássico (como algumas doenças genéticas raras). O que existe é um aumento de risco em familiares de primeiro grau de pessoas com EM. Ou seja: ter um parente com esclerose múltipla não significa que você terá a doença, mas sua chance é um pouco maior do que na população geral. Ainda assim, múltiplos fatores ambientais e imunológicos participam desse processo.
Como a doença evolui?
A evolução é muito individual. Em boa parte dos casos, a EM começa na forma surto-remissão, com episódios agudos de sintomas que melhoram parcial ou totalmente. Com o tempo, pode haver acúmulo de sequelas e, em alguns pacientes, transição para uma forma progressiva, com piora mais contínua.
O objetivo do tratamento é justamente reduzir surtos, evitar novas lesões e desacelerar essa progressão, permitindo que a pessoa mantenha sua rotina com o máximo de independência possível.
Quando é hora de cuidar do seu cérebro?
Entender o que é esclerose múltipla é o primeiro passo para tirar o medo do desconhecido e transformar preocupação em ação.
Se você se identificou com alguns sintomas, tem histórico familiar de EM ou recebeu esse diagnóstico recentemente, não precisa enfrentar isso sozinho.
Na Clínica Inervus, em Pinheiros (São Paulo), a neurologia é o centro da nossa atuação.
A equipe acompanha pacientes com esclerose múltipla e outras doenças neurológicas com olhar atento, tempo de consulta adequado e integração com outras áreas quando necessário.
Se algo no seu corpo está “diferente” e você sente que é hora de olhar para o cérebro com mais cuidado, o próximo passo pode ser simples: agendar uma avaliação com neurologista.
Um bom diagnóstico, no momento certo, faz diferença para o presente e principalmente para o futuro da sua qualidade de vida.
Dr. Iago Navas Perissinotti
CRM: 182805/SP
RQE: 105792 - Neurologia
RQE: 129572 - Medicina Intensiva
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