Tratamento da Doença de Parkinson
Postado em: 01/12/2025

Pensar no tratamento do parkinson é uma das primeiras coisas assim que surge o diagnóstico.
Entender como a doença funciona, quais remédios existem, o papel da reabilitação e o que há de novo na área é fundamental para organizar o cuidado e, principalmente, para não reduzir a vida da pessoa ao rótulo da doença.
Hoje, o tratamento do Parkinson não se resume a um único comprimido. Ele combina medicamentos, fisioterapia, exercícios, ajustes de rotina, apoio emocional e, em alguns casos, cirurgias especializadas.
O objetivo é claro: manter o máximo de autonomia, reduzir sintomas e proteger a qualidade de vida ao longo do tempo.
Entendendo o tratamento do Parkinson
A doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo em que há perda progressiva de neurônios produtores de dopamina em regiões profundas do cérebro.
Como a dopamina é essencial para que o movimento seja fluido e automático, seu déficit causa tremor de repouso, rigidez, lentidão e alterações da marcha, pontos que comentamos no artigo da Inervus sobre sinais do Parkinson.
O tratamento do Parkinson tem três pilares principais:
- Medicação para repor ou modular dopamina
- Reabilitação e atividade física, para manter força, equilíbrio e independência
- Ajustes de estilo de vida e suporte multiprofissional, incluindo cognição, sono e humor
Conforme a doença evolui, o neurologista vai ajustando doses, combinando remédios e modulando o plano de reabilitação. Não é receita fixa: é acompanhamento contínuo.
Remédios usados no tratamento da Doença de Parkinson
Os medicamentos continuam sendo a base do manejo da doença. Eles não “curam”, mas podem reduzir bastante os sintomas motores e melhorar a funcionalidade no dia a dia.
Levodopa e combinações
A levodopa é o medicamento mais conhecido e, em geral, o mais eficaz para aliviar lentidão, rigidez e tremor.
Ela é uma forma de reposição do precursor da dopamina e costuma ser combinada com outras substâncias (carbidopa ou benserazida) para melhorar o aproveitamento no cérebro e reduzir efeitos colaterais periféricos.
Na prática, o neurologista ajusta:
- Dose total diária
- Número de tomadas (2, 3, 4 ou mais vezes ao dia)
- Horário em relação às refeições ricas em proteína, que podem interferir na absorção
Ao longo dos anos, alguns pacientes podem desenvolver flutuações motoras (“liga/desliga”) e discinesias (movimentos involuntários), o que exige refinamento ainda maior da prescrição.
Agonistas dopaminérgicos
Os agonistas dopaminérgicos (como pramipexol, ropinirol e outros) atuam diretamente nos receptores de dopamina. Podem ser usados:
- No início da doença, principalmente em pessoas mais jovens
- Em combinação com levodopa, quando o controle dos sintomas precisa ser potencializado
Têm vantagens e riscos próprios (como sonolência, alterações de impulso, edema), que devem ser monitorados de perto pelo neurologista.
Inibidores de MAO-B, COMT e outras estratégias
Outros grupos de medicamentos ajudam a prolongar a ação da dopamina ou da levodopa:
- Inibidores de MAO-B (como selegilina, rasagilina, safinamida)
- Inibidores de COMT (como entacapona, opicapona)
Além disso, remédios específicos podem ser usados para tratar tremor, distonia ou outros sintomas motores, sempre avaliando individualmente as combinações possíveis.
Reabilitação: fisioterapia, fonoaudiologia e mais
Mesmo com o melhor medicamento, o tratamento do Parkinson fica incompleto se a pessoa não se movimenta. A reabilitação é peça central da estratégia.
Diretrizes internacionais reforçam que exercícios estruturados ajudam a melhorar marcha, equilíbrio, força e até aspectos cognitivos.
Fisioterapia neurológica
A fisioterapia atua em vários pontos:
- Treino de marcha, com foco em passos mais amplos e ritmados
- Exercícios de equilíbrio, para reduzir risco de quedas
- Fortalecimento de membros inferiores e tronco
- Estratégias para virar na cama, levantar da cadeira e fazer curvas com mais segurança
Na Clínica Inervus, esse olhar para marcha e equilíbrio se conecta com a experiência da equipe também em neuropatias periféricas, que podem coexistir com Parkinson em alguns pacientes.
Fonoaudiologia e deglutição
A fonoaudiologia também é importante, especialmente quando o paciente apresenta:
- Fala mais baixa e “apagada”
- Dificuldade para articular palavras
- Engasgos frequentes com líquidos ou alimentos
Trabalhar respiração, projeção da voz e coordenação de deglutição faz diferença na qualidade de vida e na prevenção de complicações, como pneumonia aspirativa.
Terapia ocupacional e adaptações
A terapia ocupacional ajuda a:
- Adaptar atividades cotidianas (vestir-se, cozinhar, trabalhar)
- Propor modificações simples na casa para aumentar segurança
- Introduzir recursos de tecnologia assistiva quando necessário
Essa abordagem conversa com o objetivo maior da Inervus: manter o paciente ativo, participando da própria rotina e com autonomia real, não apenas em teoria.
Tratamento do Parkinson além da parte motora
O cérebro não é só movimento. O tratamento do Parkinson precisa olhar também para sono, humor, cognição e comportamento, porque esses sintomas podem ser tão ou mais limitantes que o tremor.
Sono, ansiedade e depressão
É comum que pessoas com Parkinson apresentem:
- Insônia ou sono fragmentado
- Distúrbio de comportamento do sono REM (mexer-se muito, “encenar” sonhos)
- Quadro de depressão ou ansiedade
Nessas situações, atuar apenas nos remédios dopaminérgicos não basta. Pode ser necessário:
- Ajustar horário das medicações
- Incluir remédios específicos para sono ou humor
- Engajar psicoterapia e, quando indicado, psiquiatria
Cognição e avaliação neuropsicológica
Com a evolução da doença, parte dos pacientes apresenta lentificação do pensamento, dificuldade de atenção e alterações de memória.
Na Inervus, isso é abordado com avaliação neuropsicológica, que permite:
- Mapear quais funções estão preservadas e quais estão mais vulneráveis
- Traçar estratégias de reabilitação cognitiva
- Apoiar família e paciente na organização da rotina
Esse cuidado integrado com outras áreas da neurologia, como demências e doenças cognitivas, faz diferença no longo prazo.
Cirurgia para Parkinson: quando considerar?
Em alguns casos, especialmente em fases mais avançadas, mesmo com ajustes finos de medicação o paciente continua apresentando flutuações motoras importantes ou efeitos colaterais limitantes.
Nesse contexto, pode ser discutida a estimulação cerebral profunda (DBS – Deep Brain Stimulation).
A DBS é uma cirurgia funcional em que eletrodos são implantados em áreas específicas do cérebro, conectados a um gerador (como um “marca-passo” cerebral). Ela não substitui completamente os medicamentos, mas pode:
- Reduzir tremor e rigidez
- Diminuir flutuações motoras
- Permitir redução da dose de levodopa em alguns casos
Não é indicada para todos, e a seleção dos candidatos exige avaliação cuidadosa, incluindo exames de imagem, avaliação neuropsicológica e análise de comorbidades.
Estilo de vida e acompanhamento a longo prazo
Independente do formato do tratamento do Parkinson, alguns pilares valem para praticamente todos os pacientes:
- Atividade física regular, adaptada à capacidade (caminhada, exercícios em grupo, fisioterapia, dança)
- Alimentação equilibrada e hidratação adequada
- Abandono do tabagismo
- Rotina de sono minimamente estruturada
- Estímulos cognitivos (leitura, conversas, jogos, projetos)
O acompanhamento periódico com neurologista é essencial para reavaliar sintomas, medicações, exames e impacto do tratamento na vida real, não só na teoria.
A mesma filosofia se aplica às outras doenças neurológicas vistas na Inervus, como esclerose múltipla, neuropatias e quadros atendidos em neurologia geral.
FAQ – Tratamento do Parkinson na prática
Qual é o tratamento para Parkinson?
O tratamento do Parkinson combina:
- Medicamentos que repõem ou modulam dopamina (levodopa, agonistas dopaminérgicos, inibidores de MAO-B, COMT etc.)
- Reabilitação com fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional
- Ajustes de estilo de vida, apoio psicológico e, em alguns casos, psiquiatria
- Em situações específicas, cirurgias funcionais como a estimulação cerebral profunda
O plano é montado e ajustado pelo neurologista, com base na fase da doença, nos sintomas e nas metas de cada paciente.
Os remédios funcionam em todos os casos?
A maioria das pessoas responde bem à levodopa e a outras medicações dopaminérgicas, especialmente nas fases iniciais e intermediárias. Com o tempo, pode haver flutuações, discinesias ou resposta irregular, exigindo trocas e combinações. Em alguns casos mais complexos, é considerada a opção cirúrgica (DBS).
Mesmo quando a resposta não é “perfeita”, a medicação costuma trazer melhora relevante dos sintomas e da capacidade funcional, mas isso só fica claro com acompanhamento estruturado.
A fisioterapia ajuda no controle da doença?
Sim, e muito. A fisioterapia neurológica é parte essencial do tratamento, porque:
- Mantém e melhora força, equilíbrio e amplitude de movimento
- Reduz risco de quedas
- Ajuda o cérebro a criar “estratégias alternativas” de movimento
- Contribui para a autonomia em tarefas do dia a dia
Ela não substitui os medicamentos, mas potencializa o efeito de tudo o que é feito no consultório.
Há novos tratamentos disponíveis?
A área de Parkinson está em constante evolução. Além de melhorias nas formulações de levodopa e novos esquemas de estimulação cerebral profunda, há pesquisas com:
- Novos agonistas dopaminérgicos e moduladores de vias relacionadas
- Terapias de infusão contínua de levodopa ou agonistas
- Estratégias neuroprotetoras e, em estágios mais experimentais, terapias gênicas e celulares
Nem todas essas abordagens estão disponíveis na prática clínica do dia a dia, mas o neurologista acompanha as diretrizes e incorpora as novidades validadas em consenso científico.
Cuidar é sempre importante
Falar sobre tratamento do Parkinson é, no fundo, falar sobre projetos de vida. O medicamento certo, a fisioterapia adequada, as adaptações em casa e o suporte emocional não existem para que a pessoa “viva em função da doença”, e sim para que consiga continuar vivendo aquilo que faz sentido para ela.
Na Clínica Inervus, em Pinheiros (São Paulo), o cuidado com a doença de Parkinson é pensado em camadas.
Neurologia especializada, atenção aos sinais do Parkinson desde cedo, integração com avaliação neuropsicológica quando há queixas cognitivas e visão global do paciente, que muitas vezes também convive com outras condições neurológicas, como neuropatias periféricas ou esclerose múltipla.
Se você ou alguém próximo recebeu o diagnóstico, está ajustando a medicação ou sente que o tratamento atual não está entregando o que poderia, talvez seja o momento de rever o plano com calma.
Um primeiro passo é agendar uma consulta com neurologista especializado em distúrbios do movimento na Inervus.
Às vezes, a diferença entre apenas “controlar sintomas” e realmente cuidar do cérebro e do corpo está nessa conversa: entender sua rotina, seus medos, seus objetivos, e desenhar um tratamento que seja possível, humano e sustentável para você.
Dr. Iago Navas Perissinotti
CRM: 182805/SP
RQE: 105792 - Neurologia
RQE: 129572 - Medicina Intensiva
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