Tratamentos para Esclerose Múltipla disponíveis hoje
Postado em: 17/11/2025

Quando alguém recebe o diagnóstico, a primeira busca é quase sempre a mesma: “Tratamentos para esclerose múltipla”.
A dúvida vem carregada de medo e expectativas: existe remédio para controlar a doença? Vou ficar dependente de cadeira de rodas? Vou poder continuar trabalhando, estudando, cuidando da família?
Mas, últimas décadas, os tratamentos para esclerose múltipla evoluíram de forma impressionante.
Hoje, a medicina fala em “congelar” a doença, reduzir surtos e proteger o cérebro a longo prazo, com uma combinação de medicamentos, reabilitação e ajustes de estilo de vida.
O que mudou nos tratamentos para esclerose múltipla?
Durante muito tempo, a esclerose múltipla (EM) era vista quase como uma sentença inevitável de perda progressiva de funções.
Hoje, o raciocínio é outro: quanto mais cedo começar o tratamento certo, maiores as chances de manter qualidade de vida e autonomia.
Pesquisas mostram que o início precoce de terapias modificadoras da doença reduz:
- A frequência de surtos
- O aparecimento de novas lesões na ressonância magnética
- A chance de evolução rápida para formas mais incapacitantes
Em centros especializados, como o Centro de Esclerose Múltipla do Einstein, a estratégia costuma ser pensar em potência de tratamento desde o começo, em vez de “ir subindo degrau por degrau devagar”.
Na Clínica Inervus, o ponto de partida é sempre individualizado: entender o tipo de EM, a intensidade da atividade inflamatória, o perfil da pessoa e o que faz sentido naquele momento.
Esse raciocínio conversa com o que você já viu nos artigos: o que é esclerose múltipla e como é feito o diagnóstico.
Tipos de tratamentos para esclerose múltipla hoje
Quando falamos em tratamentos para esclerose múltipla, é importante separar três grandes frentes:
- Terapias modificadoras da doença (remédios de uso contínuo para frear a inflamação)
- Tratamento dos surtos
- Tratamento sintomático e reabilitação
Todas elas se somam, não é uma ou outra. O neurologista organiza esse “quebra-cabeça” ao longo do seguimento.
1. Terapias modificadoras da doença (DMTs)
São os remédios usados de forma contínua, com o objetivo de reduzir a atividade inflamatória e desacelerar a progressão da EM.
Elas não curam a doença, mas mudam o curso dela. Por isso recebem o nome de disease-modifying therapies (DMTs).
De maneira geral, podemos agrupá-las em três formas de administração:
Injetáveis
Foram as primeiras terapias aprovadas e ainda são amplamente utilizadas em muitos países. Entre elas, estão:
- Interferons beta
- Acetato de glatirâmer
São aplicadas por via subcutânea ou intramuscular, em frequências que variam conforme o esquema. Têm longo histórico de uso e segurança, mas, em alguns casos, podem ser menos potentes que opções mais modernas.
Tratamentos orais
Depois vieram os medicamentos por via oral, que trouxeram mais conforto para muitos pacientes, como:
- Fingolimode e outros moduladores de receptores de esfingosina-1-fosfato
- Dimetilfumarato
- Teriflunomida
Eles atuam em diferentes etapas do sistema imune, reduzindo a entrada de células inflamatórias no sistema nervoso central ou modulando sua atividade. A escolha depende de fatores como idade, comorbidades, planejamento reprodutivo e perfil de risco/benefício.
Infusões endovenosas e terapias de alta potência
Por fim, temos as terapias de infusão endovenosa e drogas de maior potência, muitas vezes indicadas para quadros mais ativos ou com alto risco de progressão.
Exemplos incluem anticorpos monoclonais utilizados em centros de referência (como ocrelizumabe, natalizumabe, entre outros).
Esses tratamentos costumam ser aplicados em intervalos maiores (mensal, semestral ou anual, conforme a medicação) e exigem monitorização rigorosa de efeitos colaterais e infecções.
Na prática da Inervus, a escolha da DMT considera:
- Tipo e forma de EM (surto-remissão, progressiva, alta atividade)
- Histórico de surtos e lesões em ressonância
- Comorbidades clínicas
- Preferências do paciente (injeção, comprimido, infusão)
- Possibilidade de seguimento e exames periódicos
2. Tratamento dos surtos de esclerose múltipla
Mesmo com terapias modificadoras, podem ocorrer surtos (recaídas). Nesses episódios, o objetivo é reduzir a inflamação rapidamente e acelerar a recuperação.
De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Esclerose Múltipla do Ministério da Saúde, a base do tratamento da recidiva é o uso de corticosteroides em altas doses, como a metilprednisolona endovenosa por alguns dias, ajustada ao quadro de cada paciente.
Em surtos mais leves, em alguns contextos, podem ser utilizados esquemas orais, sempre sob orientação médica. Além disso, após o surto, o neurologista costuma:
- Reavaliar a eficácia da terapia de base
- Discutir se faz sentido trocar de medicação modificadora da doença
- Ajustar a reabilitação (fisioterapia, terapia ocupacional, fono, etc.)
3. Tratamento sintomático e reabilitação
Mesmo com bom controle da inflamação, muitas pessoas continuam lidando com sintomas como fadiga, dor, espasticidade, alterações urinárias, problemas de sono e dificuldades cognitivas.
Aí entra o tratamento sintomático, que é tão importante quanto o remédio de base.
Controle de sintomas
Alguns exemplos de abordagens que podem ser usadas (dependendo do caso):
- Espasticidade e rigidez: fisioterapia, alongamentos, medicações específicas
- Dor neuropática: analgésicos de ação central, antidepressivos ou anticonvulsivantes em doses voltadas para dor
- Fadiga: orientação sobre sono, atividade física adaptada e, em alguns casos, medicações específicas
- Alterações urinárias: ajustes de hábitos, fisioterapia pélvica, remédios para bexiga hiperativa
Essas decisões são sempre personalizadas e ajustadas ao longo do tempo.
Reabilitação multiprofissional
Aqui entram áreas fundamentais para o dia a dia do paciente com EM:
- Fisioterapia neurológica: equilíbrio, marcha, força, prevenção de quedas
- Terapia ocupacional: adaptação de atividades de casa, trabalho e lazer
- Fonoaudiologia: fala, deglutição, comunicação
- Psicologia e psiquiatria: manejo de ansiedade, depressão, adaptação ao diagnóstico
- Neuropsicologia: avaliação de memória, atenção, funções executivas, com planos de reabilitação
Na Clínica Inervus, a avaliação neuropsicológica é um dos pilares no acompanhamento de doenças neurológicas, não só em EM, mas também em demências e Parkinson.
A mesma lógica se aplica às pessoas com esclerose múltipla que relatam “cansaço mental”, dificuldade de foco ou lapsos de memória.
Estilo de vida e cuidado a longo prazo
Não existe terapia milagrosa, mas existem muitos pontos sob o seu controle que podem potencializar os tratamentos para esclerose múltipla.
Hoje, diretrizes e consensos internacionais reforçam a importância de:
- Atividade física regular, adaptada à capacidade de cada um, com meta de pelo menos 150 minutos semanais quando possível
- Sono de qualidade e rotina de descanso
- Evitar tabagismo
- Monitorizar vitamina D e outros fatores de risco, conforme orientação do neurologista
- Manter acompanhamento regular, mesmo na ausência de surtos
Esse cuidado de longo prazo é exatamente o que a Inervus prioriza ao organizar o seguimento: não é só prescrever remédio, é cuidar do cérebro como um projeto contínuo de vida.
Para entender melhor o quadro como um todo, vale revisitar os outros textos da clínica: o que é esclerose múltipla, diagnóstico, além das páginas de neurologia, neuropatias e avaliação neuropsicológica.
FAQ – Perguntas frequentes sobre tratamentos para esclerose múltipla
Quais são os tratamentos disponíveis?
Atualmente, os tratamentos para esclerose múltipla envolvem três grandes grupos:
- Terapias modificadoras da doença, usadas de forma contínua para reduzir surtos e novas lesões (injeções, comprimidos e infusões endovenosas)
- Tratamento dos surtos, geralmente com corticosteroides em altas doses por curto período, para controlar crises agudas
- Tratamento sintomático e reabilitação, com foco em fadiga, dor, espasticidade, equilíbrio, humor e funções cognitivas
A combinação exata de estratégias varia de pessoa para pessoa e é definida pelo neurologista.
A esclerose múltipla tem cura?
Ainda não. A esclerose múltipla é considerada uma doença crônica, sem cura no sentido de “apagar” completamente o processo autoimune. Porém, os tratamentos atuais permitem controlar muito melhor a inflamação, reduzir surtos e desacelerar a progressão, a ponto de muitos pacientes manterem vida ativa, trabalho e projetos por longos anos com boa qualidade de vida.
Todo paciente precisa de imunoterapia?
A maioria das pessoas com esclerose múltipla se beneficia de terapias modificadoras da doença, que são, em essência, formas de imunoterapia – modulando ou suprimindo partes do sistema imune para proteger o sistema nervoso. Mas isso não significa que todo paciente vai usar o mesmo remédio, na mesma dose, pelo mesmo tempo.
O neurologista avalia o tipo de EM, a intensidade da inflamação, o risco de efeitos colaterais e o contexto de vida do paciente. Em alguns casos, ao longo dos anos, pode ser discutida troca, intensificação ou até eventual descontinuação, sempre com muita cautela.
Como funciona o acompanhamento médico?
O acompanhamento é contínuo. Em geral, envolve:
- Consultas periódicas com neurologista
- Ressonâncias de controle em intervalos definidos
- Exames de sangue para monitorar segurança das medicações
- Ajuste do plano de reabilitação conforme os sintomas
- Espaço para discutir planejamento de vida (gravidez, carreira, viagens, etc.)
Na Clínica Inervus, isso significa olhar não só para os exames, mas para a pessoa inteira, cruzando informações neurológicas com aspectos emocionais, cognitivos e sociais.
Cuidar do cérebro hoje é escolher o amanhã
Falar em tratamentos para esclerose múltipla não é apenas listar remédios. É falar de estratégia, tempo e projeto de vida. Cada decisão, do primeiro medicamento à escolha de continuar, trocar ou intensificar a terapia, pode influenciar como o cérebro vai se comportar daqui a 5, 10 ou 20 anos.
Na Clínica Inervus, em Pinheiros (São Paulo), a neurologia é pensada exatamente assim: como um cuidado de longo prazo com o que você tem de mais essencial.
A equipe acompanha pessoas com EM, Parkinson, neuropatias e outras doenças neurológicas com olhar atento, tempo de consulta ampliado e integração com avaliação neuropsicológica e demais especialidades quando necessário.
Se você já tem diagnóstico, está em dúvida sobre o tratamento atual ou suspeita que possa ter EM e ainda está na fase de investigação, o próximo passo pode ser simples: marcar uma avaliação neurológica especializada.
Às vezes, o que separa medo e clareza é justamente sentar com alguém que entenda do assunto, explique as opções com calma e ajude a construir um plano de cuidado que faça sentido para a sua vida, hoje e daqui a muitos anos.
Dr. Iago Navas Perissinotti
CRM: 182805/SP
RQE: 105792 - Neurologia
RQE: 129572 - Medicina Intensiva
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